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quarta-feira, 23 de março de 2011

Chama.


"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda, abriu os braços e se entregou ao vento..." (O teatro Mágico)




Anos depois e então a coragem veio e ela foi, de manhã bem cedo, a passos largos, afinal havia pressa. Antes da primeira onda, ela já estava lá parada e pronta, abriu os braços, sentiu. Ia dar medo logo no fim? Não, ela não ia desistir.
De braços abertos ela caminhou na direção do mar, ela queria morrer ou voar? Voar, mas tudo que ela conseguiu foi andar, em frente, encarando a imensidão, olhos nos olhos. Antes que seus pés tocassem a água, Anna olhou pra trás e derrepente, não mais que de repente, tinha virado estatua de sal, sal do mar na sua frente e Ana sorriu, seu velho sorriso.
Um passo atrás, lembranças da primeira vez que viu o mar, como boa mineira que era ficou impressionada. Dois passos atrás, as imagens vieram-lhe na mente, nítidas, a primeira vez que levou a filha a praia.
Quatro passos Anna, já pode se virar e viver, andar de volta ao calçadão e sorrir pra tudo, pra nada, feliz, porque o mar te deu o maior de todos os presentes: A vontade de viver.

sábado, 16 de outubro de 2010

Vamos fugir, desse lugar baby.


Parece loucura falando assim, mas eu fugiria com você, iriamos pra um país qualquer, iriamos pra Bariloche talvez, iriamos rir imaginando a cara das pessoas quando encontraram nossas cartas de despedida que diriam "Fugi com o meu amor, um dia eu volto, eu, ele e nossos cinco filhos, se cuidem e não morram de saudades - por mais dificil que isso seja".
Nós dormiriamos tarde e acordariamos tarde, iriamos desligar o telefone, nem lembrariamos que a internet existe, fariamos planos e realizariamos eles, comeriamos em restaurantes, afinal eu sou pessima na cozinha, você ia desembaraçar meus cabelos com os dedos, iamos fazer guerra de bolinha de papel, iamos andar de mãos dadas por todos os cantos e todos iam comentar como formamos um casal bonitinho. Olhariamos a cidade da janela do nosso apartamento apertado, mas só nos dias de chuva, quando sentiriamos preguiça de sair pra conhecer a cidade, ia ser eu e você, claro só até os gemeos chegarem, depois deles seriamos nos quatro, nós quatro até o dia que a familia crescesse logicamente.
Parece loucura falando assim, eu sei que parece, mas eu fugiria com você e você fugiria comigo?