
"Veio de manhã molhar os pés na primeira onda, abriu os braços e se entregou ao vento..." (O teatro Mágico)
De braços abertos ela caminhou na direção do mar, ela queria morrer ou voar? Voar, mas tudo que ela conseguiu foi andar, em frente, encarando a imensidão, olhos nos olhos. Antes que seus pés tocassem a água, Anna olhou pra trás e derrepente, não mais que de repente, tinha virado estatua de sal, sal do mar na sua frente e Ana sorriu, seu velho sorriso.
Um passo atrás, lembranças da primeira vez que viu o mar, como boa mineira que era ficou impressionada. Dois passos atrás, as imagens vieram-lhe na mente, nítidas, a primeira vez que levou a filha a praia.
Quatro passos Anna, já pode se virar e viver, andar de volta ao calçadão e sorrir pra tudo, pra nada, feliz, porque o mar te deu o maior de todos os presentes: A vontade de viver.
